O fim de um grande amor!
Pensei que ela de alguma forma sinalizaria o fim do relacionamento. Era um, eu tenho certeza! Não romântico, não amoroso, não sexual de homem/mulher, embora eu seja homem e ela mulher, mas não era, nunca foi e nem nunca será. Mas era sim, de parceria, de companheirismo, de companhia, de desabafos, de juntos pra sempre, de sonho, de cuidar um do outro, de amor, pelo menos pra mim.
Mas ela me deixou sozinho, me fez enxergar que ficou também, e simplesmente desapareceu.
E então, ela, a minha companheira única nesse meu novo mundo, a pessoa mais incrível e que me manteve vivo depois que eu me isolei compulsoriamente do meu antigo mundo, desapareceu para sempre da minha vida. Depois de alguns meses sem saber o que fazer, sem amigos próximos, sem companhia, sem família, sem ninguém, eu resolvi sobreviver. Chorei muito.. muitas vezes.. fiquei triste, porque ela me deixou sem nenhuma cerimônia. Isso me partiu o coração!
Sabe, não foi uma ou duas pessoas que me disseram que ela era estranha, egoísta, oportunista, e elas talvez estivessem certas nos seus olhares, porque ela nunca me viu como um amigo, mas eu sim, por ela eu apostaria de olhos fechados. Depois de todas as coisas boas que passamos juntos, todas as conversas, todas as viagens, todas as aventuras, choros e risadas, todos os desabafos e noites viradas juntos, ela nem piscou, nem olhou para trás. Mas eu acredito que havia mais nos olhos dela do que apenas o meu reflexo me olhando de volta! Eu sei disso, eu senti isso! Mesmo que eu não possa provar. O meu pequeno bote estava atracado no porto e o porto simplesmente desapareceu numa noite. De manhã, quando me dei conta, estava sozinho e a deriva no mar aberto novamente, agarrado no meu pequeno bote cinza, furado e com remendos, sentindo frio, fome, sede, sem nenhum motivo ou direção pra remar. "O mar" é um universo, deserto, líquido e vazio.
Mas depois de tudo, depois de mais de 18 meses distantes — não totalmente, mas distantes — o que mais me doeu foi não ter um momento pra esclarecer, e pra dizer o quanto ela era importante pra mim, e para dizer simplesmente adeus! É como uma morte inesperada por acidente, ontem ela estava aqui, hoje ela partiu, mesmo que eu veja a luz dela acesa, as vezes que vou na minha cozinha, mesmo que eu saiba que ela continua aqui ao lado, mesmo que eu ouça a voz dela falando de outras coisas que não posso mais saber nem entender e nem participar. É como um espírito que eu sei que está aqui, e não posso ver e nem falar.
25 de maio de 2025
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