Uma canção que mexe comigo, pela força, beleza, e representação.
Fala de tempo, que é coisa rara de se ter e de se dar hoje em dia.
Está gravada em alguns discos da Fafá de Belém e numa outra linda
de Jane Duboc.
de Jane Duboc.
Pauapixuna (Paulo André / Ruy Barata)
Uma cantiga de amor se mexeu Uma tapuia no porto a cantar Um pedacinho de lua nascendo Uma cachaça de papo pro ar Um não sei quê de saudade doente Uma saudade sem tempo ou lugar Uma saudade querendo, querendo Querendo ir e querendo ficar | Uma leira, uma esteira, Uma beira de rio Um cavalo no pasto, Uma égua no cio Um princípio de noite Um caminho vazio Uma leira, uma esteira, Uma beira de rio | |
E, no silêncio, uma folha caída Uma batida de remo a passar Um candeeiro de manga comprida Um cheiro bom de peixada no ar Uma pimenta no prato espremida Outra lambada depois do jantar Uma viola de corda curtida Nessa sofrida sofrência de amar | E o vento espalhado na capoeira A lua na cuia do bamburral A vaca mugindo lá na porteira E o macho fungando cá no curral O tempo tem tempo de tempo ser O tempo tem tempo de tempo dar Ao tempo da noite que vai correr O tempo do dia que vai chegar |
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