Bem, se não contei ainda aí vai.
Trata-se de uma história de uma paixão virtual. 2006, novembro. Estava fazendo junto com minha irmã a tradução do livro do escritor catalão Emili Rosales "A cidade invisível" e na época, era o orkut o nosso grande vilão do ócio. Tinha uma amiga de Barcelona, também tradutora, que tirava algumas dúvidas minhas do original catalão. Então numa dessas visitas ao seu perfil do orkut me deparei com a tal foto. Moça morena, cabelos bem pretos, pele bem branca e um óculos no rosto. Meu tipo. (já tive vários tipos e esse era o da vez, que se mantém até hj) Bastou um clique na foto e abriu-se em meu monitor a vida de uma grande mulher, ex-freira, professora infantil, moradora de Belém do Pará, apaixonada pela cultura paraense e amazonense, carioca de nascença mas paraense de coração. Me interessou o fato dela ter morado em Barcelona e de falar o catalão, que tb era na época um dos meus interesses.
Para resumir, nos conhecemos pelo computador e logo viramos amigos do dia-a-dia, daqueles que se quer estar perto a todo momento, daqueles que se larga o barzinho do fim de semana para ficar papeando no msn. Algumas vezes na webcam, outros telefonemas, muitos emails e rapidamente combinamos de nos conhecer pessoalmente. Semelhanças, muitas. Além do interesse pela língua catalã, músicas, viagens, mesma idade, os 2 separados e buscando um novo amor. Muitos "Musos" e "Musas" pra cá e pra lá.. cresceu a vontade de se ver, como na música. Não se deu.
Viagem marcada para Belém, hotel reservado e passagem comprada. Inicialmente programado para 1º de abril de 2007 no primeiro dia das minhas férias. Então aconteceu.. o que muitos q me conhecem já estão carecas e cansados de saber. No carnaval ela adoeceu, foi internada no dia 25 de fevereiro e em 26 de março se foi, como um vento soprando forte e arrancando do chão uma vida e um futuro que se desenhavam misteriosos.
Embarquei no dia 8 de abril, páscoa. Passei 5 dos 10 dias programados. Me apaixonei pela cidade e por tudo que a cerca.. Voltei com a cabeça a mil. Estive outra vezes por lá, conheci amigos e familiares dela e voltei com muitas certezas e dúvidas, mas com vontade de voltar e saber que tudo era uma grande mentira. Não era. Os dias, os meses e os anos passaram, e agora estou aqui contando isso pra minha pouca audiência.. nem sei porque.. ahh sei sim, lembrei.
Tudo começou com minha consulta ao dentista desta semana, na quarta-feira, dia 9. Entrei no consultório do meu dentista e na recepção, sentada no sofá de espera, havia um moça bem nova, grávida.
Tomei um susto. Me contive e fui ao banheiro. Voltei, sentei num puf em frente ao sofá, e coloquei meu fone de ouvido no celular, para escutar música. Ela, folheava umas revistas daquelas de consultório de dentista. A barriga era uma bola, devia estar nas últimas semanas.
"Meu celular" não se conteve e tirou uma foto da moça.
Esta foto aqui abaixo, o clone da minha Musa, segundo sua própria irmã. Ela volta a minha vida, vez em quando, talvez pra ver se está tudo bem, talvez pra lembrar que eu estou sozinho, pra lembrar que é hora de deixar alguém entrar na minha vida. Ou apenas pra me fazer pensar o quanto pode ser bom amar uma pessoa para sempre..
Mostrei a foto para a irmã dela e para uma grande amiga. As duas na hora perguntaram a mesma coisa: Você viu se ela tinha aliança? kkkkkkkkk sério. já estão querendo me casar com a moça.. ô gente casamenteira. Não. não tinha aliança. Mas dessa vez não pretendo nem querer saber de chegar próximo. Não mesmo. Não me apaixonei por uma foto, como muitos dizem, me apaixonei pela pessoa, pelo bom coração, pela boa mulher, mãe, professora, filha, irmã, amiga, por tudo que ela em poucos 5 meses me cativou.
*.*
* Este texto é uma homenagem a minha amiga e leitora fiel Morena Flor, que assim como minha Musa, é de Belém, tem o privilégio de viver numa cidade encantadora, misteriosa, banhada pelas lendas, folclores e cultura de uma das partes mais bonitas e representativas do nosso país. Queria te contar como se deu minha paixão pela tua terra. Tá aí. Só pra vc. 1 bjo
** De quebra gostaria, caso ela venha um dia a ver esta foto aqui, me desculpar pela intromissão de fotografá-la sem permissão e desejar a ela e ao bebê uma vida maravilhosa, de muito amor e fartura.
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| A MUSA e o CLONE |

2 comentários:
Estou há tempos tentando comentar este texto constituido de pura essência! De ciladas que a vida nos prega que gostaríamos que fosse apenas as cenas roubadas de Almodovar... Obrigada por abrir seu coração...por expor uma ferida que de vez em quando tira-se o cascão e ela ainda está lá sensivel..doloriada...mas que mesmo doida tem a sensação de plenitude pelo simples fato de terem feito parte da vida e dos melhores sentimentos um do outro! Sem esta historia sua vida não teria o mesmo sentido...e só saberias de Belém pela novela das 6..Obrigada pela linda amizade, mesmo que virtual me dedias e te dedico na mesma forma!! Um cheiro de patchouli p vc!!
assim eu deixo mais um pouquinho de mim nesta terra que me ensinaram a amar. bjo pra ti
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