Eu andei uns dias aí pensando em falar sobre amor, ou tudo que seja relacionado ao tema e as pessoas resolveram colocar esse nome pra definir. Podia ser outro nome, mas é amor. Porque? que idiotice né.. o problema é que muitas coisas na vida de uma pessoa que está entre 35/55 anos tem duas versões, a antiga e a moderna. Elas se misturam, algumas são só antigas, outras são só modernas. Eu com 45 consigo muito bem acompanhar a modernidade tecnológica (com minhas limitações é claro e sem querer me comparar a um rapaz de 20 anos que já nasceu na era digital), entretanto em outros assuntos sou bastante conservador, como na música por exemplo, e em outros não sei nem mesmo do que se trata, que é o caso do amor. O amor moderno não é pra mim, não foi feito para pessoas da minha época. "Ficar", "pegar"... essas coisas.
Li um texto no Facebook esses dias, não sei se é do Caio Fernando Abreu, se é da Martha Medeiros, do Shakespeare ou de outra pessoa qualquer (ninguém sabe), mas no fundo isso não tem a mínima importância. Diz assim:
" O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa. "
Engraçado dizer que o amor não acaba e a paixão sim. Não tenho muito bem definido dentro dos meus conceitos a diferença de amor e paixão. Na minha opinião o amor acaba sim, junto com a paixão! Aliás, paixão é o amor durante um determinado tempo por uma determinada pessoa. Acho que é isso. E o amor? é estar apaixonado o tempo todo por uma certa pessoa? ou não? Quando a gente ama alguém não está apaixonado? Está o que? A diferença seria o tempo ou a intensidade?
"E a gente avança porque é da natureza humana avançar". Qual a outra opção? ficar parado, parar o tempo? que frase idiota. Aí ele diz que o sentimento não se esgota, nós ficamos esgotados de sofrer. Opa!!! Paixão faz sofrer? não. Amor faz sofrer. Paixão quando faz sofrer acaba. E amor? amor você continua amando e sofrendo.. porque o outro não é mais aquilo que queríamos ou não nos ama mais, ou não está mais na mesma sintonia da paixão. Então tá, paixão termina, concordo. O amor não termina, vira sofrimento. Bingo! O amor é quando só você ama e o outro está pouco se fudendo. Paixão é quando os dois estão no mesmo barco, por isso é mais rápido, porque o barco dos seres humanos entra água toda hora e afunda na maior facilidade. O povo olha pra uma pessoa como se estivesse olhando pra ela mesma e coloca a responsabilidade dela ser a solução das suas carências afetivas e românticas, financeiras e profissionais, pessoais e familiares.. difícil ser essa pessoa o tempo todo! aí acaba, a pessoa se mostra humana, defeituosa, quebrável, e a paixão vai pras cucuias. Fica o amor, aquele sentimento idiota que fez com que aquela pessoa normal e cheia de imperfeições seja o anjo salvador das nossas vidas.
Bem dito isto, acho que sei mais ou menos um pouco do que a minha geração anda passando a respeito de amor.. Mas voltando ao amor moderno (esse de "pegar" e "ficar"), praticado pelos menores de 30 anos, em sua maioria, o que posso perceber é que rola uma confusão entre esporte, luta e disputa. Explico. O cara sai para pegar uma mulher. Vai na noite em busca da tal vítima. Encontra, rodeia e em poucos movimentos, ataca e abate. sim, abate. A abatida, pode até ter gostado porque também está no mesmo jogo, mas não teve escolha. Ela foi violentada com força física. Bem, é este o jogo. E aí em muitos casos vira disputa, com contagem de quantidade. "Peguei 3", "peguei 10". Tá. beijou.. se esfregou na moça, talvez tenha feito até uma saliência (essa foi antiga!rsrs) e talvez vá até as vias de fato (sexo). Mas sempre uma coisa rápida, com muito álcool e/ou energético na cabeça e com o intuito único de se satisfazer, ou em linguagem mais chula, de gozar, de preferência com atitudes de manipulação, de cine privê. Bater, ejacular no corpo, no rosto.. sexo oral, anal, essas coisas. Não estou condenando nenhuma dessas práticas, até porque todas ao seu tempo, podem ser experimentadas e mantidas por um casal num relacionamento.
Essa galera não tem o menor problema com paixão ou com amor. Não sabem o que é isso. Talvez quando se passarem 10 ou 15 anos e eles nos alcançarem em idade, aconteça algum retrocesso de atitude, talvez não e eles estejam condenados a nunca saber o que é estar apaixonado ou amando uma outra pessoa, fazer um sexo com amor, com carinho, com dormir juntos até o dia seguinte (ou até um fim de semana inteiro sem sair da cama), ou até a fazer sexo sem fazer, só no olhar, só no toque dos corpos, só no prazer de conhecer a outra pessoa, de partilhar gostos semelhantes, de trocar cultura.. fazer sexo plenamente, sem segredos, sem fakes, sem disfarces, sem personagens.. tem mulheres que não conseguem tirar a roupa pra fazer sexo, por vergonha do corpo (de estrias, celulites e gordurinhas), que quando estão cobertos, abafam estes defeitos que todos nós temos, e que são indiferentes para o parceiro na hora do sexo, quando existe amor.
Bem, falei, falei, falei.. não cheguei a conclusão nenhuma como já esperava não chegar. Porque sexo, amor, paixão, são assuntos que cada ser humano trata de forma diferente, de forma única. Mas vou dormir mais tranquilo, porque no fundo isso tudo é desabafo. O foda vai ser arrumar um título pra colocar lá em cima.
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