27 de março de 2012

[TEXTO] eu amo, tu amas, ele(a) ama


O amor é um bicho burro que só. Quando ele nos encontra é tão chato e grudento que nós queremos distância dele, quando nós o encontramos aí ele parece nem nos ver, tipo garçom quando a gente quer mais um chopp.
Me sentei na varanda e fiquei olhando o bicho brincando, pulava pra cá, sorria, bebia. Nem tava me dando bola. Eu fiquei ali paradinho, admirando aquele bichinho saltitante, com aparência de ser super feliz, mas do largo da minha vivência sabia que era só dos olhos pra fora. Me olhava de rabo de olho, as vezes, escondendo que estava apenas se exibindo. Mexia com um, mexia com outro, ia pra bem longe, provocava, daqui a pouco voltava, me olhava mais demoradamente, e continuava naquele jogo de esconde-esconde, pique-tá.
Daqui a pouco vinha correndo, me afagava, me abraçava rápido e voltava.
Mas o amor, como eu já disse, é um bicho burro. Se deixa levar pro lado errado, pro lado rápido, pro lado fácil de resolver e descartar. Já estava meio embriagado, das tantas voltas e brincadeiras quando chegou outra pessoa e o levou, pra uma aventura, daquelas de se arrepender no dia seguinte, daquelas de atrapalhar o jogo anterior e embaralhar novamente as cartas que já estavam para serem baixadas.
Nessa hora, levantei da varanda, dei uma última olhada para ver se era isso mesmo e saí. Sem olhar pra trás, pra não machucar meu olhar.
Entrando em casa, fui pensando no tempo perdido, no sentimento rasgado. Pensando nas horas que poderíamos ter brincado juntos, bebido juntos, estado juntos trocando carinho... O amor é um bicho burro. Não para de reclamar. Não sabe onde encontrar o que quer. Vai ter que quebrar muito a cara. E sempre volta pro meu lado, sem entender a atração, se sentindo acolhido, querido..
Vou continuar esperando por ele. Meu bichinho burrinho!

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