"2010, mês de Abril. Abriu o céu, como uma represa ou uma barragem, e a água caiu, muita água, durante muito tempo, e alagou tudo, e muita gente morreu. O chão se abriu para a água passar, descer como uma cachoeira e encontrar o mar."
Marcos Senna 10: 6-4
Marcos Senna 10: 6-4
Poderiam ser cenas de um roteiro de filme de Roland Emmerich, um capítulo do livro Apocalipse da Bíblia, ou mesmo alguma notícia de telejornal, de desastres em países onde o clima provoca frequentemente catástrofes.
Não.
Aconteceu no Rio de Janeiro e na minha cidade: Niterói.
Não são igarapés na Amazônia, é o Campo de São Bento em Icaraí, Niterói
Em 1967 quando eu nasci, 2010 era um futuro muito distante, era mesmo um filme de ficção.Cresci ouvindo que o Brasil e o Rio eram locais onde a natureza era privilegiada, sem furacões, terremotos, maremotos, vulcões, guerras, etc, o paraíso na terra. Aqui, estávamos imunes a ira de Deus, porque Deus era Brasileiro e morava no Rio, de braços abertos sobre a Guanabara. A alegria morava no Rio, as praias, o calor, o Carnaval, a beleza natural. Tudo isso parecia mesmo ser verdade de certa forma, e as coisas ruins da cidade, o abandono dos políticos e governantes, a pobreza e o abismo social da população carioca, era sempre minimizada. "Ah bom mesmo é o Rio!" Cansei de ouvir falar que não havia lugar no mundo mais bonito que o nosso. (apesar de nunca terem posto os pés fora do Brasil).. e tantas outras coisas que foram entrando na minha cabeça aos poucos, como numa pregação religiosa, na minha e na de muitos outros brasileiros, cariocas, niteroienses..
O futuro chegou e o filme é trágico. Aqueles que eram responsáveis por ordenar o crescimento da cidade, por urbanizar, por administrar, foram enchendo os bolsos com o dinheiro público, deixando que as cidades fossem crescendo sem nenhuma ordem, sem civilidade. Não falo somente de moradias, de favelas, de transportes, de circulação viária, de saúde, de educação e de trabalho. Tudo isso é visto com facilidade que não foi feito.
O que é mais estarrecedor é ver que todos os nossos pesadelos, em relação a destruição do Mundo, estão acontecendo, e que a praga não são insetos, nem ETs, nem nenhuma doença incurável, senão nós mesmos. O ser humano é a praga que está destruindo o planeta Terra. Falta ética, educação, higiene, respeito, amor, na maioria dos seres que habitam este planeta. Os exemplos que vem dos governantes, a falta de justiça e a certeza da impunidade, faz com que um sujeito qualquer suba o morro do Corcovado para pixar a estátua do Cristo Redentor, assim como um outro, numa posição privilegiada de governante, desvie milhões de reais, matando de todas as formas a população que o indicou para assumir aquele lugar de destaque e confiança.
A cidade desce a ribanceira, as encostas desbarrancam e trazem casas, mobílias, roupas, e corpos. Corpos que nunca serão enterrados dignamente, que nunca terão direito ao futuro. Para o bem de uns poucos, a vida de muitos. Como um sacrifício humano!
Mas e agora, o que virá depois do futuro? O que podemos planejar para que o nosso planeta possa rodar por mais alguns milhares de anos? Seria controlar o meio-ambiente? Porque pequenas ações de cidadania não vão resolver o imenso estrago já feito. Precisamos de mega-ações. É claro que tem que se manter vivas as famílias desabrigadas, com um local digno que eles possam viver sem medo de morrer a cada chuva. Mas é preciso tratar a causa, eliminar a praga, criar projetos sérios e segui-los, independente de política. Criar uma nova legislação, criar um novo executivo e um novo legislativo, criar uma nova justiça (que finalmente funcione), levando o dinheiro público para o lugar certo e não para manter e engordar as pragas, em suas mansões no exterior.
A minha cidade continua linda. Mas agora é uma cidade entristecida.
Acordemos todos nós para um futuro que já chegou e um amanhã que talvez não exista.
*_*



Um comentário:
Ateu ladrão poooooode! Vai prestar contas para quem, afinal? kkkkkkk
Mudando de pato pra pombo, vc tem afinidade com algum partido? PT eu já sei que não. O PDT tb parece não ser muito a sua praia. Mas, afinal, qual é a sua praia? Já pensou em se candidatar a Vereador? Pode ser o começo da mudança. Que tal? rs...
Por último, mas não menos importante, gostei do primeiro parágrafo em forma de versículo bíblico. Muito criativo, principalmente pq vc tem nome de apóstolo. Admito, vc às vezes me surpreende... rs.
Postar um comentário