Mas o que me chamou atenção mesmo foi o novo Maracanã. Já presenciei jogos com mais de 150mil torcedores, lotado até o último centímetro.. aquela tensão, bandeiras, fogos, fumaça, ambulantes vendendo Cervejinha (meio quente) e "Genial", é claro! Os banheiros eram todo o estádio. Tudo cheirava a urina, inclusive a gente quando era alvo de um copo cheio..(eca) Para estacionar era um transtorno, para comprar o ingresso outro, para entrar uma aventura, para sair uma dádiva. Briga na torcida, entre torcidas, dentro, fora.. um vandalismo só!
Ontem quando chegamos havia uma pequena fila para comprar o ingresso, que agora pode ser comprado pela internet, ou com cartão Itaú, se você for cliente. A entrada não tem mais confusão, tem muitos funcionários ajudando e indicando a melhor roleta (todas eletrônicas), alto-falante dando as boas vindas aos torcedores, espaço para pintar o rosto, para a criançada se divertir chutando a gol, a mulherada e a gringalhada passeiam a vontade com suas câmeras digitais e suas caras de bobos.. crianças, velhinhos, todo o tipo de gente. Em volta do estádio não tem mais ambulante, cachorro quente, cerveja em lata, bandeiras, camisas, tocas, bonés, bandanas, e todo o tipo de bujinganga pertinente, que enchem os olhos dos pequenos torcedores quando iniciam suas vidas Futebolísticas.. eu comecei cedo.
Os bares do Maraca estão vazios e não vendem mais cerveja (só sem álcool), os banheiros são mais cheirosos do que o da minha casa, e tudo parece estar organizado, como se estivéssemos entrando no Teatro Municipal para assistir ao Balé de Bolshoi.. Escada rolante para as cadeiras e camarotes, ar condicionado, painéis e placares eletrônicos e coloridos, arquibancada com cadeiras, etc..etc..etc.. E isso é só o começo, imagina em 2014 na Copa do Mundo..
Os jogadores, infelizmente também mudaram muito. Não se vê mais um gol de placa, um Zico, um Geraldo, um Pintinho, um Rivelino e um Dinamite. Mas isso já é outra história. Uma fantochada!
Explicando: Esse meu amigo tricolor da foto criou esse verbo "fantochar" para designar uma pessoa ou uma coisa que, como o substantivo significa, está sendo manipulado. Na nossa gíria, significa que é uma pessoa ou coisa metida, ou mentirosa, ou que está querendo se passar por algo que realmente não é. Uma fantochada! Geralmente usado assim: "ôh rapá, tu é um fantoche!". Pode ser também um local, um restaurante onde só tem fantoche é um lugar meio mauriçola, elitizado, onde as pessoas fazem pose e não bebem nada.
Na saída, funcionários com plaquinhas de "Bom retorno", um monte de táxis, vans e ônibus, nada de bares abertos para as comemorações (uma nova lei não permite venda de bebida alcoólica no entorno do Maracanã), nenhuma confusão, brigas, etc..etc..
Ontem foram apenas 24 mil torcedores, talvez pelo horário, talvez por ser estréia, ou talvez pelos preços altos dos ingressos..
Posso garantir que tudo isso é o que sempre se sonhou para o Maracanã, tranquilidade, profissionalismo, organização (tá, ainda não é perfeito, mas melhorou bastante) e respeito ao torcedor.. Mas, em termos de emoção se perdeu muito, e cá pra nós, futebol é emoção!
FANTOCHARAM o MARACANÃ!!!!!
"Genial" - marca de cachorro quente de salsicha com pão (sem molho)


Um comentário:
Prezado amigo Senninha,
Concordo com você que realmente o Maraca virou lugar de fantoche (mauricinhos, patricinhas, gringos e afins), porém isso só se percebe em jogos de menor expressão ou com público reduzido, como foi o caso da estréia do Fuderosão na Liberta, pois 24 mil pagantes (sendo 29 mil presentes) em jogo do Mengão é ridículo (se fosse jogo da turma dos chorafoguenses que não ganham nada, seria casa cheia).
Queria que você visse o dia da "finalíssima" (entre aspas mesmo, pois nesse campeonato brasileiro sem graça não existe mais final propriamente dita), no jogo contra o Grêmio, a verdadeira odisséia pra entrar. Travamos uma luta titânica e só conseguimos adentrar o estádio faltando 10 minutos para o jogo começar. Portões fechados, pessoas desesperadas escalando paredes, sendo puxadas por bandeiras, gás de pimenta na cara, tiro de borracha, correria, gritaria etc. Até no JECRIM fomos parar.
Ou seja, Senninha, em jogos tranquilos, tudo funciona bem, mas quando realmente precisamos atestar se os caras estão preparados para grandes públicos, tudo volta como antes no quartel de Abrantes.
Um grande abraço,
JL
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