8 de agosto de 2009

[TEXTO] crise dos 40..

A "crise da meia idade" chegou na minha vida com uma força imensa, maior do que eu poderia imaginar, deixando marcas extremamente profundas.
Li num site este texto e me identifiquei muito. Quando a gente passa da metade da vida ela começa a nos parecer bastante diferente, tanto na parte emocional como na de realizações profissionais, financeiras, etc. A busca pela tal "felicidade" parece ficar urgente (não nos preocupávamos tanto com ela aos 20 e poucos) e fazemos um montão de besteiras em nome dela, como num jogo de futebol onde os jogadores começam a correr feito loucos nos últimos 5 minutos, após tomarem o gol de empate..kkkkk
Leiam e concordem, ou discordem.

Dado
Expectativa de vida no Brasil > 68,8 homens > 76,1 mulheres

Trechos do site CONSTELAR (www.constelar.com.br)

Esse período se caracteriza por uma crise de identidade, em que a falta de sentido vai permeando de diferentes maneiras a vida de muitas pessoas. Os objetivos profissionais, a importância da família e das relações, as crenças e valores religiosos, tudo pode ficar temporariamente como que submerso num vácuo existencial.
Na faixa dos 40 anos, a perda da resistência e mesmo da beleza física gera uma ansiedade que vai minando a auto-estima, criando em alguns comportamentos compulsivos e até patéticos. A sensação de "última chance" ou de "preciso recuperar o tempo perdido" pode ter um efeito positivo para alguns, quando encarada como um desafio para se adentrar uma vida mais plena e rica. Inadvertidamente, para outros esse processo pode tornar-se um confuso rodamoinho, onde há uma desestruturação de valores que pode ter consequências danosas.
Na verdade, existem várias situações possíveis em que tanto o homem quanto a mulher podem radicalizar suas atitudes perante o mundo, na busca desenfreada pela juventude que obviamente não chegará. Tiranizados pela mídia e embalados por sonhos de poder manter uma forma física sempre jovial, acabam por cultivar um mundo de aparências, em que não se medem mais esforços para resultados, que não raro, são pouco convincentes.
É bem verdade que uma paixão arrebatadora é muito desejável, porem não nos salvará de nada e nem de nós mesmos. Assistir ao envelhecimento da própria geração e adquirir a consciência de que não se é imortal torna-se um grande desafio, especialmente para aqueles que se fixam num tempo que já passou.
Podemos dizer que essa é uma época de avaliações, em que se olha o passado tendo em vista o futuro; isso implica uma reflexão e grande valorização do presente. O álibi do tempo, do deixar para depois, já não funciona mais. Há uma crise com a passagem do tempo, e o desconhecimento de si mesmo implica uma sensação de perplexidade.
A crise dos 40 é uma iniciação, um verdadeiro ritual de passagem, onde exorcizamos ilusões, vaidades tóxicas, apegos, resquícios de imaturidade, morremos para o passado e nos emancipamos no amplo sentido da palavra.
A despeito da "qualidade" da experiência que se passa é vital encontrar um sentido ou propósito para aquilo que temos de enfrentar. A transitoriedade da vida, dos relacionamentos, dos lugares, do que somos e deixamos de ser é a nossa única grande certeza da existência.
Conviver com este fato e aceitá-lo, assim como o envelhecimento e a morte, são os grandes desafios que surgem aos 40 anos. Mas está a caminho uma sutil e poderosa mudança de percepção. Do mesmo modo que o desapego não é apatia, a indiferença não é alienação. Na segunda metade da vida nós crescemos internamente, tornamo-nos menos apegados e carentes de apreciação alheia, somos mais sábios em relação à natureza humana. Deixamos de ser esmagados e subjugados por preocupações inócuas dos erros do passado e inquietações sobre o futuro.

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3 comentários:

mel disse...

É interessante pensar que depois de tantos desequelíbrios efervescentes e juvenis, possa-se chegar perto de um estado de serenidade,algo próximo da paz...Bom, eu gosto de pensar assim,sinto que tomo esse caminho,estou longe de total desapego de muitas coisas que ainda me exasperam, mas concordo com o fato de que já exorcizei boa parte dos meus demônios, perdoei muitas coisas e pessoas(inclusive a mim mesma),não almejo a perfeição,cortei da minha vida certos vínculos emocionais que me faziam mal, enfim,acredito que já tenho uma boa idéia de como se separa joio do trigo. Há uma transitoriedade sentimental que ainda vai do extremo da serenidade interna ao calor de certas expectativas,não sei se se trata de uma questão pessoal,creio que sim, às vezes tenho a impressão que o meu tempo é bem diferente do tempo dos demais de alguma forma,como se eu ainda pudesse ocupar 2 espaços, experimentar duas instâncias, àquela que amadureceu e a outra que ainda vaga numa certa debilidade,um aquém de mim mesma,uma espécie de adolescência tardia que ainda pende,presa a um passado,aspirando pelo que está por vir.Sempre fui a mais retardatária da turma, a última a dar o primeiro beijo,a perder a virgindade, a arranjar um emprego ou a morar sozinha, ter filhos, uma casa e cachorro,qualquer um desses aspectos que traduzem uma vida "adulta",é nesses que me perco.Ao mesmo tempo,vejo que ganhei muito com outras vivências,bater cabeça muitas vezes é bom,é ótimo quando aprendemos e eu aprendi,ganhei em felling, intuição,venho alimentando um ceticismo que cresce e me protege em quase todos os aspectos,duvidar é sábio,e mais sábio ainda é não alimentar mini-certezas.O ceticismo torna a realidade mais plausível e menos sofrida,as expectativas são menores, as ilusões igualmente ganham espaço menor,em suma,a vida se torna menos 'aeróbica" e mais "catabólica".

mel disse...

* CONT:..."Poupo-me, guardo-me para ocasiões especiais".Menos lágrimas derramadas,menos ataques de cólera ou cultivo de mágoas,quase sempre minha latinidade e condições hormonais me permitem a agir de forma mais racional do que emocional.Em 8 anos acredito(que se nada der errado),atingirei o Nirvana. Hj eu vejo,hj eu sei e uma vez sabendo só ignoro o saber se quiser bancar a idiota e pagar o preço por isso,dar a cara pra bater."O interessado dá um jeito".É simples assim,cara amiga leitora, isso é com vc...Se vc saiu com um cara e ele sumiu,ou ficou de te ligar e não ligou, foi simplesmente por que ele não quis.Não acreditem na morte da tia,na dor de estômago de sábado à noite...Lógico,não sou a "LOKA",imprevistos acontecem,mas seu alarme apitará vai por mim.Essa frase:"O interessado dá um jeito" tb serve para aquela entrevista que vc fez,ou aquela amiga q vc achava q te considerava "pra carai" e deu a maior festaça de Reveillón na casa de Búzios e não conseguiu te localizar para te convidar..Estamos no século XXI,não conseguiu se comunicar por e-mail?Manda torpedo,deixa recado na secretária,no orkut!Não estamos isolados esperando pombos correios, é necessário abrir o olho e tratar bem quem nos trata bem,excesso de malas começam a pesar no decorrer da viagem. Certas coisas q só se aprendem por experiência(a não ser se vc nascer um ser iluminado, oq não foi o meu caso), parecem bobas, mas ñ são, ao contrário,nos libertam lentantamente. E é isso que o avançar da idade deve nos dar:Liberdade! Ser livre para simplesmente "ser",exercer o exercício da liberdade de forma prazerosa,plena,sem pretensões de transgredir padrões, provocar A ou B,ter a responsabilidade no seu exercício de ser quem é,assumir isto e ignorar o resto.Não importará. Nunca tive medo da morte,o que me assusta é perder os meus,é o envelhecer só,mal ou doente,sem dignidade,sem memória,sem ser dona de mim,das minhas vontades.É com isso que eu luto,com esses medos.Gosto de pensar na imagem do velho lúcido,contador de boas estórias, sem amarguras ou arrependimentos,o velho que ri de si mesmo,da dor na coluna, mas que não faz dela uma muleta para ter um espaço na vida familiar.A consciência da finitude não deveria ser tão assustadora,mas o fim ainda é um tabu.Como é o que veio antes e o que virá depois.Viver, morrer,não importa.O importante de fato é o "bom existir",ter tido uma boa existência supera qualquer medo ou expectativa de céu ou salvação.O resto é pó. Bjs ao Blogueiro.

Márcio Bessa disse...

"tem dias que eu fico
pensando na vida
e sinceramente
não vejo saída..."